VÁRZEA QUEIMADA

Várzea Queimada entrou na minha vida em uma noite especial, quando cheguei em casa depois de uma aula do curso “Como fazer Arquitetura em um mundo hiperconectado”, que frequentava na Perestroika. Acessei o Instagram e a primeira postagem que vi foi um vídeo lindo do Marcelo Rosembaum convidando para fazer parte da Expedição Garupa. A proposta era ir para Várzea Queimada, no Piauí, junto com a organização dele, “A Gente Transforma” e participar de mais uma etapa do trabalho desenvolvido junto da comunidade local. Um mês e meio depois eu estava embarcando, de coração aberto e sem conhecer absolutamente ninguém, para passar uma semana com uma comunidade de 900 habitantes, no sertão nordestino.

Em Juazeiro do Norte, encontrei um grupo de 31 pessoas de todo o Brasil. De lá, partimos para Nova Olinda, no Ceará, para conhecer o trabalho incrível da Fundação Casa Grande – Memorial do Homem Kariri, que forma crianças através dos Programas Memória, Comunicação, Artes e Turismo e também aprender sobre o Turismo de Conteúdo. Na cidade, também aproveitamos para conhecer o atelier do Espedito Seleiro, que além de transformar as sandálias de Lampião e Maria Bonita em peças de desejo, acabou de lançar com os Irmãos Campana uma coleção de peças chamada Cangaço.

A chegada em Várzea Queimada foi com chuva. Não chovia há um ano. A comunidade nos esperava com carinho e curiosidade. Fomos “sorteados e distribuídos” nas casas das pessoas, que nos receberam de braços abertos, dividindo o quase nada que possuem, inclusive a escassa água, que chega por caminhão pipa. Conhecemos a comunidade, seus hábitos, costumes, ouvimos suas histórias, assistimos as suas danças, brincamos, dançamos, caminhamos, exploramos, dividimos, abraçamos, fomos abraçados, rezamos, recebemos a benção mais especial, cantamos, soubemos das fofocas divertidas, conhecemos a sua arte, suas habilidades, tomamos o melhor suco de acerola, contamos as estrelas e recebemos amor em altas doses.

Fomos “cobaia” para o desenvolvimento do Turismo Comunitário, ou Turismo de Propósito, que o “A Gente Transforma” pretende ajudar a organizar na região. Atualmente, há um grande interesse em Várzea Queimada em função da coleção feita com Marcelo e outros designers, que desenvolveram peças lindas com a palha de carnaúba, trançada pelas mulheres e com a borracha de pneus, habilmente lapidada pelos homens.

Várzea me ensinou a ser mais paciente e mais leve. A caminho de Várzea, o Marcelo disse no ônibus: “O que vamos viver lá é único e nosso, para sempre. Vamos viver sete dias no modo magia!”. Pura verdade. Pura gratidão.

 

Aline Fuhrmeister

Aline Fuhrmeister

Aline é formada em Arquitetura e Urbanismo em 2000 na UFRGS, pós graduada em Gestão de Projeto pela ESPM, membro Alumni da ESPM e mentora no Programa de Mentoring da ESPM Sul.
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